Palavra da ACI

ACI - Associação Catarinense de Imprensa - Casa do Jornalista Mudar, com responsabilidade e respeito, por Ademir Arnon

Manifestações bloqueiam acesso às pontes em Florianópolis (Foto gentilmente cedida por Paulo Evangelista)

Ninguém consegue responder com segurança que país teremos com o prosseguimento das manifestações de rua, disseminadas pelas capitais e outras dezenas de cidades. A história do Brasil, afinal, não registra movimentos semelhantes – de reivindicações difusas e ausência de lideranças. Desde a década de 1980 assistimos grandes mobilizações, casos das Diretas Já e pelo Impeachment de Fernando Collor. Os protestos em favor de passe livre no transporte coletivo ou contra aumentos de tarifas destes serviços transformaram-se em episódicos e previsíveis. Este aspecto, aliás, pode ter gerado a fagulha, mas nem de longe é o combustível que alimenta o fogo dos manifestantes, que irromperam em protestos crescentes e inovadores.

         O Brasil é um rico país pobre, paradoxo que qualquer estrangeiro entende fácil e rapidamente ao chegar por aqui. As instituições estão em descrédito, inclusive a Imprensa. E milhões de jovens se questionam: quando e como poderemos mudar este estado de coisas? A explicação é simples, mas verdadeira: daí nasce esta multiplataforma política, de pessoas que vão às ruas para exigir passe livre, liberação da maconha, ou são contra a PEC 37, o projeto do ato médico e a ‘cura gay’, pedindo menos dinheiro na Copa do Mundo e mais em educação e saúde e por aí vai.

         O fato é: quem está à frente das instituições tem subestimado os brasileiros e em especial os jovens. Distantes da população, foram surpreendidos pelas manifestações. A essência cívica das ruas, porém, está ameaçada pelo impasse institucional e a banalização da violência. Quem derrubou Collor foi o Congresso, mesma instância, aliás, que não aprovou as eleições diretas para presidente da República em 25 de agosto de 1984. Nosso estado democrático de direito é claudicante, todavia é a única saída civilizada diante da trágica sucessão de golpes militares que marcam a história política latino-americana. Não podemos admitir nenhuma solução fora da via constitucional. E somos absolutamente contrários aos atos de vandalismo contra o patrimônio público e privado, ao bloqueio de vias públicas ou a falta de respeito às instituições.

         A ACI defende o irrestrito direito à liberdade de manifestação, exercido com responsabilidade - e lamenta profundamente as agressões sofridas por profissionais de Imprensa que cobriam os eventos.

         O Brasil precisa mudar e muito, em especial em favor de quem, cotidianamente, trabalha duro e carrega pesado fardo tributário sem a reciprocidade merecida. Mas não mudará conforme a ansiedade dos que se manifestam nem mediante a agressividade dos que ocultam os rostos.

ACI - Associação Catarinense de Imprensa - Casa do Jornalista
ACI - Associação Catarinense de Imprensa - Casa do Jornalista - Voltar
Facebook - ACI - Associação Catarinense de Imprensa - Casa do Jornalista Twitter - ACI - Associação Catarinense de Imprensa - Casa do Jornalista RSS - ACI - Associação Catarinense de Imprensa - Casa do Jornalista
Artigos
Confira nossos artigos: Veja mais artigos - ACI - Associação Catarinense de Imprensa - Casa do Jornalista
Enquete

Nenhuma enquete no momento

Newsletter - ACI - Associação Catarinense de Imprensa - Casa do Jornalista

Endereço

Av. Hercílio Luz, 639 – 9° andar
Sala 904/905 - Ed. Alpha Centauri
Centro – Florianópolis SC / 88020-000

Contatos

Fone/Fax: (48) 3222.2320
contato@casadojornalista.org
Copyright © 2012 Casa do Jornalista.
Desenvolvimento: Codde Comunicação Digital