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  Publicado em 02 de Dezembro

Desinformação sobre tratamentos contra covid-19 diminui no mundo, mas segue em alta no Brasil

Crédito:Reprodução Twitter

Foram publicados na última segunda (23) os resultados da pesquisa “Scientific [Self] Isolation”, que analisa tendências de desinformação em diferentes países.

O estudo foi realizado pelo Instituto Nacional de Ciência & Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), em conjunto com o Atlantic Council, com sede em Washington.

O trabalho se baseou nos dados do CoronaVirusFacts Alliance, da Rede Internacional de Checagem de Fatos e do projeto Latam Chequea, que reuniu checagens feitas por 100 agências sobre desinformação relacionada à covid em 134 países, de janeiro a agosto de 2020. 
 
O relatório destaca que o Brasil é o único país do mundo onde continua a circular um alto número de desinformação sobre cloroquina, ivermectina e azitromicina, dentre outros tratamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19. 

"No Brasil o tema permanece ativo no debate público", define o relatório, acrescentando que em outros países as fake news sobre formas de tratar a doença arrefeceram nos últimos meses, mediante a multiplicação de evidências científicas contrárias à efetividade de remédios como a hidroxicloroquina. 

De acordo com o estudo, o Brasil é seguido por Índia, França e EUA no ranking dos países com maior número de desinformação sobre falsos tratamentos da covid-19.

Em reportagem publicada na Folha de São Paulo sobre o estudo, a jornalista Patricia Campos Mello lembra que as motivações para a desinformação variam entre os países. 

"Na França, há circulação de informações enganosas sobre cloroquina porque Didier Raoult, microbiologista que é um dos maiores defensores do uso da substância contra covid-19, é francês. Ele realizou um estudo indicando que a combinação de hidroxicloroquina e azitromicina teria curado alguns pacientes de Covid-19. O estudo foi apontado como falho do ponto de vista científico e pouco transparente, uma vez que os dados brutos não foram compartilhados, e não teve os resultados corroborados por outros levantamentos."

Ainda de acordo com Patricia, na Índia as fake news sobre tratamentos ineficazes de covid-19 são impulsionadas pelo fato de que o país é um grande produtor e exportador de cloroquina. "Já no Brasil e nos EUA, o motivo é político. Os presidentes dos dois países, Jair Bolsonaro e Donald Trump, além de vários partidários e integrantes dos governos, encamparam as drogas e ajudaram a espalhar a desinformação", analisa Patrícia.
 
Fonte: Portal Imprensa

 

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