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  Publicado em 21 de Junho

Livro analisa como telespectador usa a internet para complementar a experiência da TV

Crédito:Divulgação Editora Appris

Como as redes sociais transformaram a forma de ver televisão? A jornalista Melissa Ribeiro se dedicou ao tema e acaba de lançar o livro “TV Social: o telespectador como protagonista na televisão em múltiplas telas” ( Editora Appris).
 
A obra desvenda a prática cada vez mais crescente de se usar smartphones, tablets e notebooks enquanto se assiste à TV para ler, fazer comentários e interagir com outros telespectadores em redes sociais sobre o conteúdo televisivo.
 
“Durante quatro anos dediquei-me a buscar compreender como o telespectador se utiliza da internet para complementar a sua experiência enquanto está assistindo televisão. Meu desejo era saber como os telespectadores se comportam nas redes sociais on-line, que tipo de conteúdo produzem, como se relacionam na rede”, explica Melissa. 
 
O Portal Imprensa conversou com a autora sobre a pesquisa que analisou postagens e interações de fãs dos programas The Voice Brasil e MasterChef Brasil no Twitter, no Facebook e no WhatsApp.
 
Portal IMPRENSA - Você poderia contar sobre o processo da pesquisa do livro?
Melissa Ribeiro - O livro é resultado da minha tese de doutorado, defendida no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal Fluminense em 2018. Durante quatro anos dediquei-me a buscar compreender como o telespectador se utiliza da internet para complementar a sua experiência enquanto está assistindo televisão. Meu desejo era saber como os telespectadores se comportam nas redes sociais on-line, que tipo de conteúdo produzem, como se relacionam na rede.

Como o meu foco era o telespectador, eu me inseri em grupos de fãs dos programas The Voice Brasil e MasterChef Brasil no Facebook e no WhatsApp e também acompanhei publicações no Twitter para observar os hábitos e comportamentos deles enquanto esses programas estavam no ar. Eu também busquei me aproximar da experiência que eles viviam e para isso interagia com os outros usuários. Então foi uma observação participante. Além da coleta e análise de postagens dos internautas eu realizei 53 entrevistas, algumas on-line e outras presenciais.

Essa ação foi muito importante para compreender as motivações dos telespectadores e também esclarecer algumas questões que apenas a observação de conversas não me permitia. O maior desafio da pesquisa foi analisar um fenômeno que ainda está em construção. Várias coisas mudaram ao longo dos quatro anos de pesquisa e algumas delas eu comento no livro.
 
Portal IMPRENSA - Você fala do fenômeno TV Social que vem provocando mudança nos hábitos dos telespectadores e no modo de se produzir programas televisivos. Você poderia falar sobre isso?
Melissa Ribeiro - Há um capítulo do livro que eu me dedico a analisar dez práticas dos telespectadores que se modificaram na experiência de audiência coletiva compartilhada na TV Social. Uma delas foi a possibilidade de interação durante a exibição de um programa com pessoas distantes geograficamente e desconhecidas. Discutir o conteúdo televisivo com familiares e amigos sempre foi um hábito recorrente dos telespectadores.

A novidade agora, no entanto, está na extensão dessa prática a um círculo maior de pessoas e de forma pública. Muitas vezes, os comentários são realizados para um público destinatário desconhecido e de massa. No Twitter, por exemplo, pode-se ter acesso a milhares de mensagens publicadas sobre um determinado programa televisivo com o uso da hashtag, sem que necessariamente se conheça seus autores. A construção de um backchannel, ou de um canal de fundo, em tempo real, permite o desenvolvimento de uma narrativa paralela àquela que está sendo exibida na TV. Isso permite a ressignificação do conteúdo televisivo, impactando a experiência do telespectador.

Há casos em que os telespectadores postam notícias e informações que contradizem algo que está sendo veiculado, por exemplo. Então, os telespectadores estão criando o hábito de checar em outras fontes as informações transmitidas. Tudo isso enquanto um programa está no ar. Quanto às novas formas de se produzir programas, há um grande investimento hoje na criação de atrações televisivas mais interativas, nas quais os telespectadores podem manifestar em tempo real suas percepções sobre o conteúdo exibido. Além disso, alguns programas passam a utilizar-se do vocabulário e da própria linguagem da internet, como os memes e links para a internet por meio de QR Code.
 
Portal IMPRENSA - Você fala de protagonismo do telespectador na televisão. Como isso acontece? Você poderia falar um pouco sobre estas transformações pelas quais a televisão vem passando?
Melissa Ribeiro - A experiência da televisão hoje acontece a partir de dois movimentos: de um lado há o crescimento do consumo assíncrono, representado pelo video on-demand, em plataformas como Globo Play, Netflix, Telecine Play, etc, nas quais o telespectador precisa ir em busca do conteúdo que deseja assistir, montar sua própria programação, e tem controle da visualização (pode pausar, acelerar, retornar, assistir de novo, escolher a ordem de exibição); de outro, há o consumo síncrono, no qual a TV Social vem se destacando por incentivar a visualização da transmissão direta na televisão, ou seja, em tempo real.

O que constrói o fenômeno da TV Social é justamente a interação que os telespectadores realizam nos ambientes interativos da internet enquanto estão assistindo televisão. Sem a construção dessa narrativa paralela nas redes sociais não há TV Social. E quem desenvolve essa narrativa é a audiência. Portanto, em ambas as situações, no consumo assíncrono ou síncrono, a participação ativa do telespectador é fundamental.
 

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Texto publicado originalmente no site Portal Imprensa, Por Kassia Nobre

 

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